10/07/2014

||| desta coisa de estar sempre ajudar...


||| ... da alta definição da realidade afasto-me um pouco. para ver. sou do tempo em que se chumbava. sim, de chumbo. metal perigoso. agora. agora é o cobre. de cobrar. também perigoso, dizem. de metal passou-se ao plástico. e ao pvc. e ao contraplacado. já não se chumba. nem se fica retido. ou não se prossegue. ou transita. é aprovado ou não aprovado. de prova. ou qualquer coisa parecida. transita, de trânsito ainda vai valendo. mas nada disso importa. quer dizer, importa. porque as palavras importam. volto ao princípio. sou do tempo do chumbo. como aluno alguns dos nossos colegas ficavam "para trás". repetiam tudo. uma vez mais. não era bom, dizem agora. os ditos estudos. é caro, dizem outros. passou tudo a ser medido pelo preço da coisa. um aluno que "reprova" [outra palavra maldita] custa x. os outros que não chumbam custa menos x. e um professor custa x. e uma turma custa y. mas ainda não é isso que importa. o que estava a pensar afastado da alta definição da realidade era mesmo no esforço. na cultura do esforço. é que saber que hoje estamos a encher os professores do esforço de conseguir "recuperar" os alunos que estão para chumbar. é do lado do professor que está o peso da possível recuperação. o aluno só tem que se "apresentar" ao serviço. quase como castigo sem o ser. ou como se tudo, por um toque de mágica, fosse possível corrigir. como se um ano de faltas pudesse ser corrigido por uns dias de presenças. são as "estratégias" de um sistema que acha que é caro tudo. e assim, dando a volta à coisa, sai mais barato. lembra o remendo no pneu que já não tem cura possível em vez do investimento necessário. de prevenção. é que é tudo caro. muito caro. pois é. é a hipoteca do esforço. e do futuro. e do conhecimento. e da escola. é só isso. é caro. muito, mesmo...